Opinião - Denise Mota: Mestre do candombe, Rubén Rada leva raízes afro-uruguaias a São Paulo

Explorando as raízes afro-uruguaias: A magia do candombe nas mãos de Rubén Rada em São Paulo

Mago da percussão, músico de músicos, referência nacional, Rubén Rada domina como ninguém o legado sonoro da herança africana em seu país: o candombe, ritmo 100% uruguaio que ele mostra em 2 de novembro no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Ver Rada em ação aos seus 80 anos, recém-completados, é ser testemunha de uma epifania musical e de uma trajetória de sete décadas que o situa como figura fundamental da música uruguaia (mas não só), pilar de movimentos como o candombeat e formações obrigatórias para qualquer melômano, como El Kinto, Opa, Tótem.

A originalidade de suas composições, a potência vocal, sua abundância de recursos são reverenciadas por cantores de chuveiro e de estádio: “Mi País”, um dos seus maiores sucessos, é um hino informal do Uruguai, recitado palavra por palavra em qualquer um dos seus shows pela plateia de muitas idades que o acompanha. Por outro lado, canções suas que são um divisor de águas na MPU (música popular uruguaia), como “Las Manzanas”, de 1969 (composta em duas horas, reza a lenda), ou “Malísimo” (1975), engrossam a lista de seus admiradores de alto calibre, como Fito Páez ou Milton Nascimento.

Camaleônico e único em cada uma de suas muitas expressões (por vezes revestidas de heterônimos, como “Richie Silver”), o artista —ganhador de um Grammy pela excelência musical em 2011— passeia do jazz ao pop, do rock à milonga, da murga ao soul —e ao samba, com a mesma facilidade com que canta em português.

É que com esse idioma ele se criou, já que sua mãe nasceu na fronteira do Uruguai com a gaúcha Santana do Livramento, e com o português justamente decidiu lhe render homenagem em “Noites do Rio – Aerolíneas Candombe”. O álbum, lançado em 2021 com letras de Ronaldo Bastos, traz canções com a participação de Carlinhos Brown, Tamy e Silva. E uma interpretação de Rada tão afetuosa quanto fresca de sonoridades muito brasileiras, como o baião.

Em São Paulo, Rada apresenta um pouco de todas essas facetas ao lado de seus filhos Lucila (vocais) e Matías (guitarra), de Tamy e de uma formação de tambores característicos do candombe —chico, piano e repique— liderada por “Lobo” Núñez, outro ícone absoluto do ritmo.


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