Opinião - Tostão: Os craques brilham quando são amparados por um ótimo conjunto

O Papel dos Craques em um Time Vencedor: A Importância do Conjunto

Durante o longo tempo em que acompanho o futebol, como atleta, comentarista, colunista e observador, nunca presenciei um país de nível técnico médio se tornar uma potência mundial.

Algumas seleções como a Croácia chegaram perto, mas, na minha opinião, é algo passageiro, restrito a uma geração comandada por Modric, que está chegando ao fim. Além disso, a Croácia fazia parte da antiga Iugoslávia, que tinha uma tradição futebolística consolidada. Nos anos 60, era comum o mundo se encantar ao ver os frequentes amistosos entre o Santos de Pelé e o Estrela Vermelha, a grande equipe da Iugoslávia. O Santos ganhava a maioria desses jogos. No entanto, hoje em dia, o Estrela Vermelha é um time mediano na Europa.

Os Estados Unidos e o Japão aprenderam as estratégias do jogo, construíram ótimas estruturas profissionais e tinham a esperança de se tornarem potências mundiais. Eles progrediram, mas ficaram pelo caminho. Faltaram craques. Zico, que foi técnico no Japão, afirmou que era muito difícil convencer os disciplinados japoneses de que eles poderiam, no momento certo, improvisar. O futebol é um esporte que exige estratégia, técnica e improviso.

Os Estados Unidos, conhecidos pelo basquete, investiram no vôlei e foram campeões mundiais. Acharam que poderiam ter o mesmo desempenho no futebol. Mas faltaram os craques.

Na Copa de 1994, vi a Nigéria encantar o mundo com grandes jogadores. Eles foram eliminados pela Itália em um jogo em que foram muito superiores. Em 1996, os nigerianos conquistaram a medalha de ouro nas Olimpíadas, derrotando o Brasil nas semifinais e a Argentina na final. O Brasil tinha praticamente os mesmos jogadores campeões mundiais em 1994.

Na época, pensei que os africanos se tornariam protagonistas no futebol mundial. No entanto, isso não se concretizou, apesar de terem excelentes jogadores espalhados pela Europa. Dizem que a evolução dos africanos não foi tão significativa como se esperava porque eles importaram um grande número de treinadores europeus, que não possuíam a mesma visão do futebol que os europeus têm hoje. Naquela época, os treinadores adotaram um estilo de jogo truculento, físico e defensivo, o que bloqueou o talento africano.

Nesta semana, assisti a algumas partidas das eliminatórias da Eurocopa. A Espanha, como sempre, mostrou meio-campistas excepcionais, liderados por Rodri, que deram um show de troca de passes e domínio da bola no meio-campo. No entanto, enfrentaram grandes dificuldades para marcar gols na vitória por 1 a 0 sobre a Noruega. Nas eliminações da Espanha nos últimos Mundiais, sempre se comentava que a troca de passes curta e o controle da posse de bola não tinham objetividade. Mas não é por aí. A Espanha precisa de atacantes talentosos.

Se a Espanha juntasse a troca de passes, a posse de bola e a qualidade individual do meio-campo com atacantes habilidosos, rápidos, dribladores e finalizadores, como Vinicius Junior e Neymar, sem precisar recuar para armar as jogadas, seria uma seleção excepcional.

Independentemente do desempenho e do resultado do confronto entre Brasil e Uruguai, na noite de terça (17), a seleção brasileira precisa evoluir tanto no aspecto individual quanto no coletivo. Não devemos endeusar o time, os jogadores e o técnico nas vitórias, nem destruí-los e cancelá-los nas derrotas. Não deveríamos ser analistas de plantão. O time precisa de craques e de uma estratégia coletiva eficiente. Os craques geralmente brilham quando são apoiados por um bom conjunto. No entanto, não é possível formar grandes times sem os craques.


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